• Claudia Godoy

UE: meio ambiente, ataques cibernéticos e crises de saúde são prioridades



A preservação ambiental, relacionada à agricultura no Mercosul,

deverá nortear as negociações para a ratificação do acordo assinado no ano passado com a UE (União Europeia). A avaliação é constante entre os embaixadores dos países que assumem a presidência rotativa do Conselho da UE: Alemanha, Portugal e Eslovênia.

O embaixador da União Europeia, Ignacio Ybañez

Eles participaram de conversa online, promovida pela UE, nesta semana, para discutir as questões prioritárias e agendas futuras da Europa. O debate foi mediado por Creomar Lima.

O embaixador da União Europeia, Ignacio Ybáñez (foto maior), e o Conselheiro Político da Embaixada da Alemanha, Marc Bogdahn, e os embaixadores de Portugal, Jorge Cabral, e da Eslovênia, Gorazd Rencelj.

"20 anos de negociações e temos um capital nas mãos", disse o embaixador de Portugal, Jorge Cabral. O diplomata acredita que a convicção é de que, além de comércio, o acordo deverá ampliar as relações do Brasil com a Europa. Mas a questão ambiental, ainda segundo Cabral, será condicionante para a conclusão do acordo. "Há condições que não devem ser desperdiçadas", disse ele.


Creomar Lima de Souza, o mediador do debate.

Para o embaixador da Eslovênia, Gorazd Rencelj, a oportunidade é histórica para um acordo. "Liderança é importante em acordos comerciais e o Brasil é forte nisso", disse o diplomata. A Eslovênia defende o comércio livre e baseado em regras. " A UE não negocia apenas cotas, tarifas, barreiras, mas sustentabilidade, meio ambiente, normas sanitárias, consumidor e saúde", lembrou Rencelj, acrescentando que o acordo Mercosul/UE "é uma joia, mas não a todo preço".


Será a segunda vez da Eslovênia na presidência do Conselho da União Europeia. Na primeira vez, porém, em 2008, o país ainda não possuía embaixada no Brasil. "O primeiro desafio será ativar o motor da UE na situação atual da pandemia. As transformações verdes e digitais são prioridades ", disse Rencelj. Ele vê também a necessidade de reforçar as defesas da região contra ataques cibernéticos. Além disso, o diplomata quer preparar a UE para emergências, em particular as crises de saúde.


A pandemia de Covid-19 redefiniu as prioridades da UE. Os países da zona do euro foram pegos de surpresa. Agora, planejam a retomada sustentável da economia. Para isso, acreditam ser fundamental que o mercado interno tenha condições de concorrência após a pandemia. O Brexit (saída do Reino Unido da UE), por exemplo, é um dos desafios. Mesmo fora, o Reino Unido é importante para um futuro relacionamento com os europeus. Eles também pensam nas relações com China, Índia, África e América Latina.


Os Estados-Membros que exercem a Presidência do Conselho da UE trabalham em estreita cooperação em grupos de três, chamados "trios". Este sistema foi instituído pelo Tratado de Lisboa em 2009. O trio fixa os objetivos a longo prazo e prepara uma agenda comum que estabelece os temas e as principais questões que o Conselho irá tratar ao longo de um período de 18 meses. Com base nesse programa, cada um dos três países prepara o seu próprio programa semestral mais detalhado.