• Claudia Godoy

República Tcheca e Eslováquia: Correios lançam selo comemorativo do centenário de relações



Este ano comemoramos o 100º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre a República Tcheca (antiga Tchecoslováquia) e o Brasil. Nesta ocasião especial os Correios do Brasil em cooperação com a Embaixada da República Tcheca e a Embaixada da Eslováquia emitiram uma edição especial de selos comemorativos numa tiragem de 360 ​​mil exemplares.

Devido às medidas atuais em relação à pandemia do coronavírus, a inauguração oficial do selo ocorrerá em 1 de junho de 2020 somente online com contribuições de representantes das três partes mencionadas acima que colaboraram neste belo projeto. Para a apresentação das relações diplomáticas entre República Tcheca, Eslováquia e Brasil, foi escolhido um formato um tanto incomum de 40 x 120 mm, composto por quatro selos com um motivo dos castelos de Praga e Bratislava, simbolicamente conectados pela ponte sobre o lago Paranoá, localizada na capital Brasília que leva nome do presidente brasileiro Juscelino Kubitschek, descendente de imigrantes tchecos. Os autores das fotografias são o fotógrafo tcheco David Šedivý, o Embaixador da Eslováquia Milan Zachar e Albery Santini. O selo é possível comprar online no Correios Net Shopping.



O selo. Foto: divulgação.

Apresentação da Embaixadora da República Tcheca no Brasil, Exma. Sra. Sandra Lang Linkensederova, publicada na ocasião da emissão do selo comemorativo: "A República Tcheca, Tchecoslováquia até o ano de 1993, tornou-se um Estado independente em 28 de outubro de 1918. O Brasil foi o primeiro país da América Latina a reconhecer, menos de dois meses depois, a independência e soberania da Tchecoslováquia. Um gesto que desde então definiu a força e a prosperidade de suas relações bilaterais. Em 1920, o primeiro embaixador da Tchecoslováquia entregou suas credenciais ao presidente brasileiro Epitácio Pessoa e chefiou a nova embaixada inaugurada no Rio de Janeiro. Esse momento é considerado o marco inicial de nossas relações bilaterais. Em seu livro Coração da Europa, publicado no Rio de Janeiro em 1922, o professor, político, advogado e romancista Gustavo Barroso expressou grande simpatia pela Tchecoslováquia, ao mesmo tempo em que o esplendor das relações comerciais bilaterais começava a ser sentido. Em 1931, o primeiro acordo comercial foi assinado. O Brasil começou a importar da Tchecoslováquia (na época, um dos países mais industrializados do mundo) uma grande variedade de equipamentos tecnológicos para processamento agrícola, construção, produção de energia, entre outros. Vários pesquisadores tchecoslovacos, incluindo linguistas, etnógrafos e antropólogos, visitaram o Brasil e seus conhecimentos foram repassados através de vários livros e trabalhos acadêmicos. Mas as relações entre nossas nações já estavam cheias de vida muito antes disso. Dom Pedro de Alcântara, nascido como herdeiro do trono brasileiro, casou-se em 1908 com a aristocrata boêmia, condessa Isabel Dobrzensky de Dobrzenicz, que deixou a marca do sangue tcheco na família real brasileira. Muitos tchecos chegaram ao Brasil já nos séculos 18 e 19. Primeiro como jesuítas e cartógrafos, depois como colonos corajosos que vieram à procura de novas terras e novos horizontes. Entre eles, estava o bisavô do ex-presidente Juscelino Kubitschek, fundador da Capital Brasília, que neste ano comemora 60 anos de existência. Juscelino Kubitschek apreciou muito as raízes da família e, em uma reunião com uma delegação da Tchecoslováquia, atribuiu seu espírito pioneiro aos genes tchecos. Não surpreende que nossa diplomacia tenha respondido prontamente e, respeitando o grande sonho do presidente Juscelino Kubitschek, mudou a missão diplomática para a nova capital, tornando-se o terceiro país a construir sua nova sede em Brasília. A nova Embaixada, em um estilo que correspondia lindamente à arquitetura da nova capital, foi inaugurada em 1963. É retratada no livro Brasília, Cidade Sonho, publicado em 2017 pelos descendentes de Alberto Frič, pioneiro da diplomacia cultural tcheca no Brasil. Frič, viajante, etnógrafo, botânico, fotógrafo, jornalista e pensador, já empreendeu uma missão no Brasil em 1919, a serviço do governo da Tchecoslováquia, para promover o conhecimento mútuo entre as nações. A colaboração no campo econômico entre a República Tcheca e o Brasil teve seu primeiro pico no período entre as duas Guerras Mundiais, quando o Brasil conheceu os produtos tchecos das marcas Škoda (carros), ČKD (máquinas industriais), JAWA (motocicletas), Bohemian crystal e cerveja Pilsen (em homenagem a uma cidade na República Tcheca). Nos últimos anos, novas joint ventures foram criadas entre empresas tchecas e brasileiras, gerando projetos e produtos que estão conquistando os mercados mundiais. Os dois países entraram recentemente em uma nova etapa de intensas relações bilaterais que apresenta um contexto mais do que relevante para a emissão do selo comemorativo. A Emissão Postal Especial Brasil – República Tcheca – Eslováquia apresenta o Castelo de Praga (fundado no século 9 e sede dos futuros reis e presidentes tchecos), o Castelo de Bratislava e a Ponte JK em Brasília. A motivação dos castelos surgiu espontaneamente ao procurar o símbolo mais emblemático das capitais de Praga e Bratislava. Brasília, por sua vez, era conhecida em todo o mundo pela imagem da ponte JK. Nesse caso em particular, no entanto, a ponte esconde um grande significado simbólico. Além de usar o sobrenome tcheco-eslovaco (Kubitschek), representa alegoricamente a conexão que une as três nações. A República Tcheca e a Eslováquia, outrora um único país – a Tchecoslováquia, 27 anos após a separação amistosa e consensual das imagens desses selos. O Brasil os uniu através da ponte JK."

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