• Claudia Godoy

Politização de Huawei e 5G é bullying tecnológico, diz embaixada da China


A embaixada da China afirmou por meio de nota à imprensa que as tentativas dos Estados Unidos de interferência na escolha de fornecedor da tecnologia 5G nos outros países não tem o objetivo de criar a chamada “rede limpa”, nem proteger

a liberdade e a privacidade, mas sim, do engodo, da intimidação, da coerção e de usar todos os meios a seu alcance para manter a sua rede de vigilância cibernética e hegemonia digital.


"Essas práticas, típicas de bullying tecnológico, são uma violação grosseira das normas da cooperação comercial internacional, dos princípios do comércio mundial e das regras do mercado", informou a embaixada na última sexta-feira (21).

Foto: Agência Brasília.

A embaixada chinesa disse carecer de fundamentos os comentários de autoridades norte-americanas a respeito da

Huawei e o 5G da China.


Na última semana, Keith Krach, subsecretário do Departamento de Estado norte-americano, disse ao Jornal Estado de São Paulo, que "o plano do governo americano batizado de "clean network" (em português, redes limpas), que deixa a chinesa Huawei de fora da estrutura de redes de tecnologia "não estará completo sem o Brasil".


Com leilão de frequências de 5G previsto para o ano que vem, o Brasil virou uma peça central na guerra tecnológica entre os dois países. Segundo a embaixada da China, as acusações dos EUA "procuram desacreditar a Huawei e interferir de forma grosseira na cooperação normal sino-brasileira. "Seus comentários carecem de fundamento. São difamações mal intencionadas e manuseios políticos que merecem firmes objeções do lado chinês", diz a nota divulgada pela embaixada.


A nota chinesa esclarece, ainda, que a Huawei é uma empresa privada de renome mundial e não tem incidentes de segurança cibernética, nem casos de vigilância na rede de informações, equipamentos e serviços fornecidos a mais de 170 países e territórios que atendem a mais de um terço da população do planeta. Na nota, a embaixada da China afirma também que os Estados Unidos, ao contrário, têm histórico escandaloso em matéria de segurança cibernética e tem usado o poder do Estado para cercear empresas chinesas de alta tecnologia.



Veja a nota completa da Embaixada da China

EMBAIXADA DA REPÚBLICA POPULAR DA CHINA NO BRASIL

NOTA À IMPRENSA

BRASÍLIA 21 DE AGOSO DE 2020

Comentário do Porta-voz da Embaixada da China sobre as afirmações feitas por autoridades norte-americanas acerca da

Huawei e o 5G da China Dias atrás, em artigo veiculado na imprensa brasileira, o subsecretário de Crescimento Econômico, Energia e Meio Ambiente do Departamento de Estado dos EUA, Keith Krach, procura desacreditar a Huawei e interfere de

forma grosseira na cooperação normal sino-brasileira. Seus comentários

carecem de nenhum fundamento. São difamações mal-intencionadas e

manuseios políticos, que merecem firmes objeções do lado chinês.

Os fatos falam mais alto que as palavras. A Huawei, uma empresa privada de

renome mundial, não tem nenhum incidente de segurança cibernética, nem

caso de espionagem e vigilância na rede de informações, nos equipamentos e

serviços fornecidos a mais de 170 países e territórios, que atendem a mais de

um terço da população do planeta. Também não há nenhuma prova de que os

produtos da empresa tenham dispositivos para essa finalidade, os chamados

“backdoor”.

Os Estados Unidos, por sua vez, têm um histórico escandaloso em matéria de

segurança cibernética. Além disso, têm usado o poder do Estado para cercear

empresas chinesas de alta tecnologia, sob o pretexto de preservar a segurança

nacional, interferindo na escolha de fornecedor do 5G nos outros países. O

objetivo não é, de forma alguma, criar a chamada “rede limpa”, nem proteger

a liberdade e a privacidade, mas sim, do engodo, da intimidação, da coerção e, enfim, de todos os meios a seu alcance, pretender manter a sua rede de vigilância cibernética e hegemonia digital. Essas práticas, típicas de bullying tecnológico, são uma violação grosseira das normas da cooperação comercial internacional, dos princípios do comércio mundial e das regras do mercado.

O 5G é uma importante ferramenta para alavancar uma nova etapa da

revolução industrial. Politizar ou ideologizar essa tecnologia e as cooperações nesse campo só irá retardar o processo da economia digital do mundo. A postura dos EUA vai contra a corrente da História, e está destinada a fracassar.