• Claudia Godoy

México defende solidariedade não só entre as pessoas, mas também entre nações

Solidariedade latino-americana; diplomacia de resultados


Maximiliano Reyes Zúñiga

13 de junio de 2021, 21:44


A caridade é humilhante porque é exercida verticalmente e de cima; a solidariedade é horizontal e implica respeito mútuo.

Eduardo Galeano


A pandemia da Covid-19 mudou o mundo e os desafios que impõe só podem ser enfrentados com atitudes e valores como união, empatia e solidariedade.

A solidariedade deve prevalecer não apenas entre as pessoas, mas também entre as nações. Desde o início da pandemia, o México exige que não prive o direito dos mais fortes ou ricos, também é necessário que todas as nações tenham acesso equitativo a suprimentos médicos e vacinas; por isso, promoveu a resolução 74/274 “Cooperação internacional para garantir o acesso global a medicamentos, vacinas e equipamentos médicos com os quais lidar com a Covid-19”, aprovada em 20 de abril de 2020 pela Assembleia Geral da ONU.

No âmbito da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), o México tem promovido ações para enfrentar a pandemia. Destaca-se o acordo firmado com a Argentina, a farmacêutica Astra-Zeneca e a Fundação Slim para produzir no México vacinas com o ingrediente ativo de origem sul-americana, tanto para o nosso país como para a região.

Após um período de preparação não isento de dificuldades técnicas, no dia 25 de maio iniciou-se a produção dessas vacinas no México e no sábado, 12 de junho, iniciou-se a distribuição dessas vacinas em nosso país e na região. Graças ao inestimável apoio da Força Aérea Mexicana, 100.000 vacinas foram enviadas a Belize e 150.000 doses à Bolívia e Paraguai, respectivamente. Ao mesmo tempo, um voo comercial transportou 811 mil doses para a Argentina. Em breve, outras remessas serão enviadas para Guatemala, Honduras e El Salvador para somar a contribuição à região de 2 milhões de vacinas embaladas no México.

No dia 21 de maio, o Presidente López Obrador declarou durante a Cúpula de Líderes do G20 que o México será a fábrica de vacinas para a América Latina e Caribe e anunciou que, além da produção do antígeno Astra-Zeneca, serão utilizados para as doses regionais do Cansino, também produzido no México, e da vacina mexicana Patria, que já está na fase II.

Não é apenas o cumprimento de um compromisso assumido, mas também implica uma visão de solidariedade com a América Latina e o Caribe, uma diplomacia de resultados, que coloca o bem-estar comum antes dos interesses egoístas que muitas vezes prevalecem nas relações internacionais. Ao ajudar os outros, ajudamos a nós mesmos.

O México confia na força de uma liderança baseada no exemplo e em que suas ações beneficiem não só as pessoas vacinadas, mas também sejam uma imagem poderosa para que outros países façam o mesmo e sejam solidários também.


*O autor é Subsecretário para América Latina e Caribe da Secretaria de Relações Exteriores.