• Claudia Godoy

Hungria controla pandemia com promessa de criar tantos empregos quanto Covid-19 destruir

Em meados de março deste ano o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, se tornava um dos primeiros líderes da Europa a reconhecer que a pandemia de Covid-19 (o novo coronavírus) não apenas colocava em risco a vida das pessoas, mas também ameaçava a economia do país.


O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán. Foto: divulgação com arte de Claudia Godoy.

Orbán então anunciou várias medidas para controlar a evolução da infecção, tais como o fechamento de fronteiras, a proibição de grandes eventos, e medidas de isolamento social, com o "lockdown", além de obrigatoriedade de uso de máscaras.

O embaixador húngaro Zoltán Szentgyorgyi durante discurso em celebração da Data Nacional da Hungria, no ano passado. Foto: Claudia Godoy.

Na sequência o governo começou a adotar uma série de medidas para combater os efeitos do novo vírus na economia do país.


"O governo húngaro introduziu medidas como isenções tributárias muito necessárias para os setores mais atingidos da economia e moratória nos pagamentos de alguns tipos de empréstimos", disse o embaixador da Hungria, Zoltán Szentgyorgyi.

Além disso, Orban, ao compreender a gravidade da situação, anunciou programas adicionais de alívio econômico já nos primeiros dias de abril. Entre as medidas, o governo assumiu até 70% dos pagamentos de salários das empresas que tiveram de recorrer à redução do horário de trabalho. "Isso ajudou muito", afirmou Szentgyorgyi.



Budapeste com o Parlamento húngaro ao fundo. Foto: Claudia Godoy

O resultado das medidas governamentais já são visíveis na Hungria. No primeiro trimestre deste ano a economia húngara cresceu 2,2%, apesar da previsão de encolhimento de 3% no consolidado do ano. "A indústria permaneceu como motor do crescimento, mas o turismo foi muito afetado e também os pequenos serviços, como em todos os países", informou o diplomata. Para o embaixador, a "queda é bastante positiva quando comparada à previsão da Comissão Europeia que estima retração de 7,7% para a zona do euro", avalia Szentgyorgyi. Ele analisa que os países, mesmo na UE, são muito diferentes. "Penso que a diferença, no que diz respeito ao resultado do PIB, vai depender do grau, do papel do turismo, e desse tipo de indústria nos diferentes países", analisou o embaixador, acrescentando que "há países em que o turismo é grande fator. Na Hungria acredito que nao seja decisivo".


A Hungria registrou até agora 4.008 infectados e 546 mortos pela infecção de Covid-19 (atualizado em 7/05/2020). Em meados de maio o país começou a implementar a abertura controlada da economia.