• Claudia Godoy

Dia Mundial da Língua Portuguesa é lembrado por UNESCO, ONU News e Nações da CPLP nesta terça-feira



O Dia Mundial da Língua Portuguesa é comemorado nesta terça-feira (5) com evento organizado pelo Camões, I.P., em parceria com CPLP, UNESCO e ONU News e estará disponível a partir das 12h00, no Canal Camões, I.P. do Youtube. O português é a língua de nove Estados-Membros da UNESCO”,

  • “é a língua oficial de três organizações continentais e da Conferência Geral da UNESCO”,

  • “é falado por mais de 265 milhões de pessoas”, além de ser

  • “a língua mais falada no Hemisfério Sul”


Clarice Lispector (1920-1977) recorreu à prosa para homenagear a língua portuguesa e em "Em Declaração de amor", Clarice termina a crônica com o desejo de fidelidade ao idioma: “Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável

A data foi instituída pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e, em 2019, ratificada pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

Em 2020, celebra-se a ocasião mundialmente pela primeira vez: antes disso, o dia era considerado internacional, mas não global. O objetivo é destacar a importância do quinto idioma mais falado no mundo e o mais falado no hemisfério Sul, com 280 milhões de falantes.

Também vão participar online escritores, desportistas, cientistas, artistas e demais individualidades gravados em vídeo serão igualmente divulgados, procurando dar expressão à dimensão pluricêntrica da Língua Portuguesa.

A matéria-prima dos escritores é a língua. Nada mais natural que sejam eles aqueles que sejam lembrados em data como essa. Clarice Lispector (1920-1977) recorreu à prosa. Em Declaração de amor, Clarice termina a crônica com o desejo de fidelidade ao idioma:

“Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes com um verdadeiro pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento e de alerteza. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo.

Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Às vezes se assusta com o imprevisível de uma frase. Eu gosto de manejá-la — como gostava de estar montada num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes lentamente, às vezes a galope. Eu queria que a língua portuguesa chegasse ao máximo nas minhas mãos. E este desejo todos os que escrevem têm. Um Camões e outros iguais não bastaram para nos dar para sempre uma herança de língua já feita. Todos nós que escrevemos estamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida. Essas dificuldades, nós as temos. Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua que não foi aprofundada. O que recebi de herança não me chega. Se eu fosse muda, e também não pudesse escrever, e me perguntassem a que língua eu queria pertencer, eu diria: inglês, que é preciso e belo. Mas como não nasci muda e pude escrever, tornou-se absolutamente claro para mim que eu queria mesmo era escrever em português. Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só para que a minha abordagem do português fosse virgem e límpida.”

O evento desta terça-feira terá testemunhos do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, do Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, do primeiro-ministro português, António Costa, do chefe de estado de Cabo Verde e presidente em exercício da CPLP, Jorge Carlos Fonseca, do secretário-executivo da CPLP, Francisco Ribeiro Telles, e de Sampaio da Nóvoa, representante de Portugal na UNESCO. Também vão participar online escritores, desportistas, cientistas, artistas e demais individualidades gravados em vídeo serão igualmente divulgados, procurando dar expressão à dimensão pluricêntrica da Língua Portuguesa. Manuel Alegre, José Ramos-Horta, Mia Couto, Germano Almeida, Maria Manuel Mota, Adriana Calcanhotto, Fernando Pimenta, Flora Gomes, Carminho, Milton Hatoum e o Cardeal José Tolentino Mendonça são algumas das individualidades. Um concerto com os cantautores Aline Frazão (Angola), Ivan Lins (Brasil), Teófilo Chantre (Cabo Verde), Manecas Costa (Guiné-Bissau), Stewart Sukuma (Moçambique), João Gil (Portugal), Tonecas Prazeres (São Tomé e Príncipe) e Zé Camarada (Timor-Leste) encerrará o evento, que permanecerá disponível e de acesso público no YouTube.


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