• Claudia Godoy

Dia da blusa romena é lembrado

Uma verdadeira peça de arte, a tradicional blusa romena teve o seu dia no último dia 24 com todas as pompas apesar da pandemia de Covid-19 (o novo coronavírus). A história dessa vestimenta merece ser contada.

Quem a tirou do anonimato foi o pintor francês Henri Matisse que, nos anos 1930, encantado com o colorido da peça, pintou “La Blouse Roumanie”

A embaixatriz da Romênia, Ligia Mera, usa a blusa. Ao lado uma foto da pintura de Matisse. Foto da embaixatriz: Claudia Godoy.

Mas nos anos 1960, Jane Birkin — a mesma que desenhou a bolsa caríssima - , pegou a blusa, vestiu um jeans boca de sino e lançou a moda mundo afora, no clima hippie-boêmio da época.


O estilista Yves Saint Laurent, nos 1980, também deu a sua contribuição para a fama da blusa romena ao se inspirar nos quadros de Matisse e preparar uma coleção de alta costura, inteirinha, com a blusa.


Os bordados e tons dos bordados da blusa, variam de região para região, mostrando, no passado, de onde a pessoa se originava. No passado, as mulheres deveriam usar as cores no tecido, de acordo com idade e estado civil: vermelho para meninas; preto e vermelho para solteiras; colorido para casadas; preto para as idosas.

Os desenhos revelavam a profissão das pessoas. Os coletores de frutas tinham cerejas bordadas, os pastores de cabras, pequenos detalhes que faziam alusão a chifres. Se a pessoa fosse proprietário de terra, a sua posse também estaria gravada em um padrão que denotava status; se desejasse um sentimento, dos mais doces aos mais fortes, de proteção ou agradecimento, você também poderia expressá-lo em forma de bordados.


Para a noiva, havia, também, um traje especial, agora retomado por muitas que desejam um casamento tradicional. A blusa é de algodão branco, mais leve e delicado que o usual. O bordado era de linha de seda branca e a saia confeccionada em brocado.


Essas blusas me conquistaram e para mim são mais preciosas do que qualquer Matisse, mais charmosas do que qualquer Jane Birkin e mais luxuosas do que qualquer Saint Laurent.


A embaixatriz da Romênia, Lígia Mera, ao lado do embaixador Stefan Mera, usa a blusa romena que inspirou o pintor Henri Matisse a criar a obra-prima homônima, de 1940.

A embaixatriz romena ao lado do embaixador. Foto: Claudia Godoy.

Em óleo sobre tela, a obra está exposta hoje no Museu Nacional de Arte Moderna, no Centro Georges Pompidou, em Paris. Mera explicou que era o Dia Mundial de usar a blusa. Na foto, ela está acompanhada do embaixador da Romênia, Stefan Mera.


Quando pintou o quadro, Matisse vivia um período de se maravilhar com os desenhos dos trajes tradicionais do Leste Europeu e, sobretudo, com os da Romênia. Por essa razão, o pintor poderia ter pintado “a blusa romena” e antecipado a guerra na França, que apesar disso, não aparece na pintura.


A mulher retratada na tela do pintor surge plena de timidez, com um sorriso forçado pintado nos lábios negros, caracterizada pelo desconforto e, até mesmo, receio de algo.


Em óleo sobre tela, a obra está exposta hoje no Museu Nacional de Arte Moderna, no Centro George Pompidou, em Paris.

Já há algum tempo, Matisse havia deixado de lado as odaliscas, mouriscas, e até mesmo os arabescos e estava simplificando a sua obra. Ele estava pintando mulheres simples, comuns, mas cheias de expressividade, algumas de ternura.