• Claudia Godoy

Depósitos finlandeses da época da Guerra Fria ajudam no controle da Covid-19


Durante a fase mais difícil da pandemia de Covid-19, a Finlândia destacou-se por possuir e abrir depósitos de alimentos, equipamentos médicos, sanitários e até de petróleo, que ajudaram o país a enfrentar uma crise sem precedentes na história da humanidade.

O embaixador da Finlândia, Jouko Leinonen. Foto: divulgação.

Quando começaram a fazer os depósitos, ainda na Guerra Fria, os finlandeses temiam um ataque militar, mas foram alvo do novo coronavírus, um inimigo invisível, que já foi responsável pela morte de mais de 730 mil pessoas no mundo. Cerca de 20 milhões ficaram doentes.


Com suas reservas, a Finlândia passou bem pela crise sanitária. Já está com a Covid-19 sob controle. Teve 7.700 casos registrados do novo coronavírus e 333 falecidos. "Neste momento de crise mundial, o governo resolveu, pela primeira vez, abrir esses imensos estoques, que nunca foram desmontados depois da Guerra Fria, para que não falte nada à população, especialmente materiais hospitalares", informou Leinonen.

As máscaras antigas dos depósitos finlandeses ainda são úteis. Foto: governo da Finlândia.

Durante a pandemia a equipe de comunicação da embaixada da Finlândia ofereceu opções de diversão virtual importantes para ajudar as famílias durante o isolamento social. Óperas, concertos, museus, além de raposas brancas e até os mexilhões finlandeses puderam ser observados pelos brasileiros. Tudo virtual e grátis, alguns ao vivo.

Com toda a certeza a ideia nos deixou mais felizes e próximos nesses dias tão difíceis.


Segundo o embaixador da Finlândia, Jouko Leinonen, a ideia surgiu tendo em vista o cenário atual. "A busca incessante por informações e a recomendação de manter o isolamento", informou o diplomata.



Veja a entrevista completa:

1- A embaixada da Finlândia vem divulgando várias atrações online para ajudar a população durante a quarentena. A ideia foi muito boa! Como surgiu essa ideia? Como a embaixada está conseguindo implementá-la?


A ideia partiu da nossa equipe de comunicação, tendo em vista o cenário atual: a busca incessante por informações e a recomendação de manter o isolamento como prevenção contra o Coronavírus. Como sabíamos que a população passaria muito tempo em casa a partir de março aqui no Brasil, quisemos ajudá-la a passar o tempo de uma forma informativa e divertida – todos nós precisamos tentar sair às vezes desta situação triste que a pandemia nos impõe. Buscamos conteúdos culturais referentes à Finlândia, como tours virtuais em museus finlandeses, transmissões ao vivo, concertos, espetáculos de balé, exposições online – tudo disponibilizado na internet, com acesso fácil e gratuito a todos. Nosso objetivo é aproximar os brasileiros da cultura finlandesa, informando e ao mesmo tempo servindo como uma forma mais leve de enfrentar essa fase difícil que estamos vivendo. Ficamos muito felizes com os resultados do projeto: os pedidos de inscrição superaram as nossas expectativas e recebemos muitos feedbacks positivos, o que nos traz muita satisfação. A ideia é continuar o projeto mesmo após o fim da pandemia para manter essa conexão dos brasileiros com as novidades culturais na Finlândia.

2- Chamou a atenção mundial o armazenamento de materiais médicos, energéticos e alimentícios que a Finlândia fez a partir da Guerra Fria. Podemos dizer que o seu país era um dos mais preparados do mundo para enfrentar a pandemia?


O país, desde a Guerra Fria, mantém grandes depósitos com insumos e produtos essenciais como forma de segurança de abastecimento em casos de emergências, incluindo ameaças militares e todos os tipos de possíveis perturbações no comércio internacional. Esses depósitos são amplamente abastecidos com insumos básicos de sobrevivência, como cereais para alimentação, petróleo para casos de desabastecimento e também com insumos de saúde, como por exemplo agulhas e seringas descartáveis, dispositivos de transfusão de sangue, material de intubação, máscaras e outros produtos muito úteis em emergências sanitárias como esta que estamos vivendo. Como a Finlândia passou por muitos períodos difíceis de guerra, aprendemos com a história a prevenir tempos de penúria. Manter esses estoques estratégicos ao longo das últimas décadas foi uma dessas decisões para proteger a população. Neste momento de crise mundial, o governo resolveu, pela primeira vez, abrir esses imensos estoques, que nunca foram desmontados depois da Guerra Fria, para que não falte nada à população, especialmente materiais hospitalares.


3 - A Finlândia participa de alguma forma do esforço mundial de busca de uma vacina e de remédios contra o novo coronavírus?


Nesta crise somos todos apoiadores e apoiados. Universidades, instituições acadêmicas e centros de pesquisa da Finlândia estão trabalhando intensamente com suas redes internacionais para avançar na descoberta da vacina e tratamentos contra a Covid19 o mais rápido possível. Também há projetos nacionais finlandeses para desenvolver um imunizante contra o novo coronavírus. Além disso, a Finlândia decidiu disponibilizar o equivalente a mais de R$ 200 milhões a iniciativas internacionais para desenvolver e distribuir vacinas, por exemplo para CEPI (Coalition for Epidemic Preparedness Innovations) e IVI (International Vaccine Institute). A União Europeia, da qual a Finlândia é país-membro, vai investir 1 bilhão de euros na luta contra o vírus – e claro que a Finlândia participa deste financiamento.


Além de apoio via União Europeia, a Finlândia tem também um amplo programa nacional de cooperação que se concentra em apoiar os países menos desenvolvidos (LDC) do mundo, principalmente pelas organizações multilaterais das Nações Unidas e pelas instituições financeiras internacionais. Por exemplo, aumentamos nosso apoio à Organização Mundial de Saúde nesta difícil situação. Nosso apoio tenta ser desacoplado o máximo possível, afim de que as organizações possam usá-lo livremente onde haja maior necessidade. Além disso, estamos tentando apoiar todos os países liberando, por exemplo, soluções de educação a distância e de saúde gratuitamente na internet. Infelizmente muitos aplicativos estão em inglês, mas estou encorajando entidades brasileiras para entrar em contato com provedores desses produtos para traduzi-los em português o mais rápido possível. Assim, essas soluções finlandesas serviriam também ao grande mundo lusófono, inclusive na África.


4 - Como está sendo feito o relaxamento controlado das medidas de isolamento social na Finlândia? Qual a situação hoje da pandemia no seu país?


A Finlândia registrou 7.700 casos de infecção por Covid-19 e 333 mortes (atualizado em 14/08) desde o início da pandemia até 10 de agosto, data do último boletim divulgado pela THL, nossa agência de saúde. Hoje temos 5 pacientes internados em hospitais, um deles em UTI. Em relação à população total da Finlândia, a prevalência do total de casos é de 138 para cada grupo de 100 mil pessoas. Entre 2 e 8 de agosto, tivemos 132 novos casos, uma incidência de 2,4 novos casos por 100 mil habitantes - uma das taxas mais baixas da Europa e do mundo. No período anterior, de 26 de julho a 1º de agosto, o índice foi de 1,4 novo caso para 100 mil habitantes. Portanto, temos uma situação bem controlada na Finlândia, porém com um leve aumento no número de novos casos nos últimos dias. Por isso, o governo tem estudado novas formas de conter a disseminação do vírus, disponibilizando testes no Aeroporto de Helsinque para pessoas que estiverem sentindo sintomas, por exemplo.


As fronteiras permanecem fechadas para passageiros vindos de fora da Zona Schengen e ainda com restrições até mesmo a alguns países da União Europeia, com base no índice de novos casos por 100 mil habitantes – infelizmente um esforço necessário para evitar que a situação piore nos próximos meses. Dentro da Finlândia, tivemos uma flexibilização cautelosa do isolamento devido à situação controlada: bibliotecas foram as primeiras a serem reabertas, escolas voltaram às aulas presenciais já em maio e o comércio foi reabrindo de maneira gradual e com muito cuidado. Algumas medidas continuam mantidas, como número limitado de torcedores em estádios de futebol, por exemplo. A Finlândia retoma a vida normal de maneira cautelosa, sempre atenta para que a situação siga controlada.




Quando começaram a fazer os depósitos, os finlandeses temiam um ataque militar, mas foram alvo do novo coronavírus, um inimigo invisível, que já foi responsável pela morte de mais de 730 mil pessoas no mundo. Cerca de 20 milhões ficaram doentes. Com suas reservas, a Finlândia passou bem pela crise sanitária O país conseguiu controlar a Covid-19 com a ajuda dos armazén, secretos ha cerc

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