• Claudia Godoy

Caxemira: ninguém pode ficar indiferente 

Por Ivan Godoy

Em recente encontro com a imprensa, o embaixador do Paquistão em Brasília, Najm us Saqib, chamou a atenção para o fato de que o aumento da tensão entre o seu país e a Índia, devido à situação na Caxemira sob ocupação indiana, é cada vez mais preocupante, levando-se em conta que os dois países são potências nucleares. Ele alertou que a crise humanitária que afeta a população majoritariamente muçulmana de Caxemira deveria interessar a todos os governos.

O embaixador do Paquistão, Najm us Saqib, e repórter do jornal Folha de São Paulo, Ricardo de la Coleta. Foto: Claudia Godoy.

O problema dessa região já provocou várias guerras entre os dois países, desde o fim do chamado Império da Índia e a divisão da colônia britânica em duas nações independentes. E, 1947, a decisão tinha sido que as regiões de maioria muçulmana formariam o Paquistão e as de maioria hinduísta integrariam a Índia. A parte oriental do território paquistanês converteu-se em Bangladesh, em 1971, após um sangrento conflito.

Paisagem paquistanesa. Foto: embaixada do Paquistão.

Um problema restou, no entanto, que vem minando desde a independência as relações entre Nova Délhi e Islamabad: a negativa do governo indiano a permitir que a população de Caxemira decida o seu próprio destino, através de um plebiscito, já aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU. A questão reside em que, apesar de ter maioria muçulmana, Caxemira ficou, em sua maior parte, no território da Índia. O descontentamento da população tem aumentado ao longo dos anos, pelo recrudescimento da repressão das forças de segurança indianas, que literalmente agem como uma tropa de ocupação numa área inimiga conquistada. O resultado é o número de 100 mil mortes desde 1989. Outras 25 mil pessoas estão desaparecidas, segundo números revelados pelo embaixador Najm us Saqib. Segundo ele, as mulheres muçulmanas sofrem nas mãos de gangues de estupradores indianos.

A repressão na Caxemira tem sido violenta. Foto: divulgação.

A política ultranacionalista e de repressão às minorias religiosas levada ao extremo pelo primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, chegou ao cúmulo de determinar a revogação, em agosto passado, da autonomia da parte da Caxemira sob controle da Índia. A região foi isolada e a população vive sob toque de recolher, não podendo se comunicar, com o corte da internet.

O embaixador do Paquistão durante entrevsita coletiva à imprensa, em Brasília. Foto: Claudia Godoy.

Najm us Saqib considera que o objetivo de toda essa repressão é levar hindus à região, mudando a demografia, para que os muçulmanos se tornem uma minoria em sua própria terra. Diante dessas graves denúncias e do aumento das tensões entre Índia e Paquistão, ninguém pode permanecer indiferente. É necessário exigir que o governo indiano aceite a realização de um plebiscito, determinado pela ONU, que permita ao povo de Caxemira decidir, com um atraso de sete décadas, o seu próprio destino.

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