• Claudia Godoy

Após vídeo de reunião ministerial, China reafirma parceria com Brasil

Atualizado: 24 de Mai de 2020

A Embaixada da China divulgou nota (veja a integra no final) esclarecendo que é o principal parceiro comercial do Brasil há 11 anos, além de ser uma das principais fontes de investimento estrangeiro no país. A nota destaca o respeito recíproco, a igualdade, benefício mútuo e cooperação entre os dois países.

Ernesto Araújo durante a reunião. Foto: PR.

No vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, divulgada hoje, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, sem citar o nome China, referiu-se ao país asiático como "não democrático" e que "não respeita os direitos humanos". Ele disse, ainda, que o novo coronavírus provocará nova globalização.


A nota chinesa diz também que levará a parceria com Brasil para patamar ainda mais elevado. "Desde início da pandemia, a China notifica com transparência e respeito a OMS (Organização Mundial de Saúde) e outros países, como o Brasil, as explicações para a prevenção, controle, diagnóstico, tratamento e cooperação internacional para o combate à pandemia", diz a nota. De acordo com as informações, as atitudes chinesas receberam apreço das Nações Unidas, da OMS e da comunidade internacional. "O governo, empresários, organizações civis vem dando firme apoio ao Brasil na luta contra o coronavirus", afirma a embaixada por meio da nota à imprensa.

Araújo é contrário à ala moderada do governo, que destaca o fato de a China ser o principal comprador de exportações brasileiras, para pregar uma abordagem pragmática com os asiáticos.


O ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu tornar público o vídeo da reunião ministerial, que foi citada pelo ex-ministro Sergio Moro como indício de que o presidente Jair Bolsonaro desejava interferir na autonomia da P​olícia Federal brasileira.


O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. Foto: divulgação.

O chanceler também relatou no vídeo uma conversa de Bolsonaro com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. O líder indiano disse, na ocasião, segundo o chanceler, que o mundo após o surto de Covid-19 será tão diferente do atual quanto os cenários anterior e posterior à Segunda Guerra Mundial.


Nota na íntegra:

A China e o Brasil são parceiros estratégicos globais. Ao longo dos 46

anos desde o estabelecimento das relações diplomáticas, as

cooperações sino-brasileiras têm alcançado resultados abrangentes

num ritmo acelerado. Os fatos provam que a parceria sino-brasileira

corresponde aos interesses dos dois Estados e dos dois povos.

A China mantém-se como o maior parceiro comercial do Brasil há onze

anos consecutivos e é uma das principais fontes de investimento

estrangeiro no país. A parceria bilateral na área econômica e comercial

sempre tem sido norteada pelos princípios de respeito recíproco,

igualdade, benefício mútuo e cooperação ganha-ganha e tem

contribuído efetivamente para o crescimento conjunto de ambas as

partes, trazendo benefícios reais para os dois povos. A cooperação

China-Brasil e China-América Latina atende às necessidades dos dois

lados, não visa os terceiros e tampouco é influenciada por terceiros e,

por isso, é amplamente apoiada pelos países latino-americanos.

Desde o início do surto da Covid-19, a China, com abertura,

transparência e alto senso de responsabilidade, notificou as

informações atempadamente à OMS e a outros países como o Brasil,

compartilhou, sem reservas, experiências de prevenção, controle,

diagnóstico e tratamento e engajou-se na cooperação internacional

para o combate à pandemia. Atitudes como essas receberam alto

apreço da ONU, da OMS e da comunidade internacional em geral. Nos

últimos tempos, o governo, o empresariado e as organizações da

sociedade civil da China vêm dando um firme apoio ao Brasil na sua

luta contra o novo coronavírus conforme as suas necessidades. Temos

convicção de que, juntos, vamos vencer a pandemia e levar a parceria

sino-brasileira em todas as áreas a um novo patamar.