• Claudia Godoy

Akopian acusa Azerbaijão de violar acordos e desrespeitar pandemia ao lançar ofensiva a Artsakh

O embaixador da Armênia, Arman Akopian, disse hoje (02), que o governo do Azerbaijão viola acordos internacionais ao lançar a ofensiva contra Artsakh (Nagorno-Karabakh para os azeris). Por meio de carta ao portal Bacuri Notícias, o diplomata contesta informação do embaixador azeri, Elkhan Polukhov, que na última semana, acusou, também por meio de carta, forças armenias de atacar alvos civis durante o conflito iniciado em setembro deste ano.

Akopian ressaltou que um cessar-fogo foi estabelecido há 26 anos. Além disso, foi iniciado processo político no âmbito do Grupo de Minsk da Organização para Segurança e Cooperação na Europa copresidido pelos Estados Unidos, Rússia e França.

Ainda segundo as informações do embaixador armênio, em setembro deste ano, "em uma violação grosseira do acordo de 1994 e em total desrespeito ao apelo do Secretário-Geral da ONU pela paz durante a pandemia, o Azerbaijão lançou uma ofensiva contra a República do Artsakh".


O embaixador disse que na ofensiva, "centenas de tanques, veículos blindados, aviões militares, veículos aéreos não tripulados, milhares de mísseis estão atacando o Exército de Defesa de Artsakh ao longo de toda a linha de contato estabelecida em 1994".



Carta do embaixador da Armênia, Arman Akopian

"Uma guerra sem sentido no Sul do Cáucaso


O conflito em torno de Artsakh (Nagorno-Karabakh) tem suas raízes no início dos anos 1920, quando o governo soviético transferiu esta antiga província armênia para o Azerbaijão, como uma região autônoma.


Em 1988, o Parlamento regional de Artsakh fez um pedido oficial de transferência para a Armênia, o que provocou massacres de armênios em grande escala na cidade azeri de Sumgait em 1988, e na capital Baku, em 1990. Após o colapso do União Soviético em 1991, Artsakh, exercendo seu direito à autodeterminação, proclamou sua independência à qual o Azerbaijão respondeu com uma ofensiva militar.


Em 1994, um cessar-fogo foi estabelecido e um processo político foi iniciado no âmbito do Grupo de Minsk da Organização para Segurança e Cooperação na Europa copresidido pelos Estados Unidos, Rússia e França.


Em 27 de setembro deste ano, em uma violação grosseira do acordo de 1994 e em total desrespeito ao apelo do Secretário-Geral da ONU pela paz durante a pandemia, o Azerbaijão lançou uma ofensiva contra a República do Artsakh.


Centenas de tanques, veículos blindados, aviões militares, veículos aéreos não tripulados, milhares de mísseis estão atacando o Exército de Defesa de Artsakh ao longo de toda a linha de contato estabelecida em 1994.


O Azerbaijão está até usando armas químicas proibidas pela lei internacional, como fósforo branco, para queimar as florestas de Artsakh. O lado azeri também tem como alvo a população civil matando e ferindo centenas de pessoas inocentes.


Nesta guerra criminal o Azerbaijão conta com todo o apoio político e militar da Turquia, um país que é membro do Grupo de Minsk e, portanto, deve permanecer neutro e imparcial. A Turquia deixou no Azerbaijão milhares de unidades de equipamento militar que foram usadas durante os recentes exercícios militares entre os dois países, incluindo caças F-16. Além disso, a Turquia transferiu milhares de islamistas sírios filiados ao Estado Islâmico para lutar contra os armênios, o que cria uma percepção de que se trata de uma guerra entre a Armênia cristã e o Azerbaijão muçulmano.


A comunidade internacional, incluindo o Brasil, continua insistindo que o conflito não tem solução militar e tem de ser resolvido exclusivamente por negociações. Graças aos esforços dos copresidentes do Grupo de Minsk, três acordos de cessar-fogo foram alcançados até agora, e cada um deles foi imediatamente violado pelo Azerbaijão. O Presidente azeri declarou recentemente que pretende continuar a guerra “até o fim.”


O objetivo do Azerbaijão não é resolver uma questão militar ou político-militar. Não invadiu apenas com o propósito de capturar territórios. O alvo é a própria nação armênia e o objetivo é continuar o Genocídio Armênio hoje. Terra sem população indígena. Para o povo armênio, isso torna esta guerra uma guerra de caráter existencial, uma guerra pela sobrevivência, pelo direito de permanecer em sua pátria de muitos milênios".


Arman Akopian

Embaixador da Armênia no Brasil